terça-feira, 8 de maio de 2012

Uma França Consolada

O presidente Nicolas Sarkozy assumiu em 2007 seu cargo, do qual pode estar se despedindo neste final de semana, com a promessa de construir nada menos que uma "nova França", tarefa realmente ambiciosa, num pais que está aí há uns 2000 anos e já viu mais ou menos tudo o que poderia ter visto. O resultado final de todos os seus esforços é que a França de hoje, pouco tem de diferente, da de cinco anos atrás, e possivelmente, independente de quem vença a eleição, será a mesma daqui a cinco anos.
Sarkozy é o campeão da "direita" e seu opositor, François Hollande, é o campeão da "esquerda" e ambos pregam programas totalmente opostos entre si. Um garante que se o outro ganhar a França se transformará numa ruina praticamente imediata.


A França de hoje tem muito mais do bom do que do ruim, e nestes casos, o melhor que pode lhe acontecer é ir se segurando mais ou menos onde está. O fato que realmente interessa, e do qual bem pouco se fala, é o seguinte: a França é um dos países mais bem-sucedidos do mundo. Tem problemas, claro, e alguns deles são até reais. Mas é um país de verdade, com 65 milhões de habitantes, e não um parque de diversões, e tem uma situação admiravel pra quem chegou a esse porte. Não há um único buraco em seus 11000 quilômetros de autoestradas de primeiríssima classe. O trem-bala existe; está sempre no horário, mantém velocidade média de 300 quilômetros por hora e sua rede já é cinco vezes maior que o trajeto entre Rio de Janeiro e São Paulo.

A França tem um PIB per capita acima dos 42000 dolares anuais, contra os 10840 dolares no Brasil. Soube aproveitar com inteligência, rapidez e eficácia todo o avanço tecnológico das última décadas. Produz mais que o Brasil, num território equivalente a 6% do nosso e com um terço da nossa população. O salário mínimo é cinco vezes superior ao brasileiro, a saúde pública é impecável e a classe C já emergiu a 100 anos atrás. O cidadão francês não sabe o que é um assalto a mão armada, e não tem a menor idéia do que possa ser um arrastão em prédios e condomínios. Nunca ouviu falar em firma reconhecida e desabamento de morros. Desconhece a existência de filas de onibus. A soma de todas as suas dificuldades, considerando-se a vida como ela é, parece uma brincadeira quando comparada à certos Brics, a começar pelo que é representado na letra B.


A França certamente tem complicações sérias, como o desemprego e a invasão de seu território pelos pobres do mundo que, por bem ou por mal, querem emigrar para lá. Tem uma paixão mal resolvida, e provavelmente sem solução, pelo "estado forte", a quem se atribui poderes incomparáveis.
Sarkozy até tentou mudar alguns quadros na política econômica e social da França, mas não conseguiu sequer diminiur os efeitos catastróficos causados por uma economia globalizada e refém dos mercados. Hollande, que carrega preconceitos quanto a sua candidatura, pelo fato de nunca ter se destacado em nada, parece o homem certo para tentar mudar esse panorama. Se vai conseguir, isso só o tempo vai dizer, mas a França tem a sorte de não precisar dos seus políticos para conservar tudo aquilo que já soube contruir.





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