terça-feira, 9 de outubro de 2012

Lula x FHC - Parte 1

Começo esse texto fazendo uma pergunta objetiva. Quem foi melhor, Lula ou FHC?

Em 3 partes irei expor as participações políticas e suas realizações, sem a intenção de denegrir a imagem de nenhum dos dois. Tanto Fernando Henrique quanto Luiz Inácio, tiveram grande importância no cenário político brasileiro e certamente cometeram erros e acertos. 

O Início

Acompanho política desde os meus 15 anos, quando Fernando Collor de Melo disputava com Luiz Inácio Lula da Silva a vaga ao posto de presidente da república. Estava começando a me interessar por um assunto tão complexo naquela época. Mas vamos voltar um pouco no tempo.

José Sarney era o presidente anterior, que ficou conhecido por tentar implementar programas de pouca eficiência, como a criação da Sunab e seus famosos fiscais, que tinham a função de "fiscalizar" os abusos praticados pelo comércio em geral. Numa época onde a inflação atingia números astronômicos, em torno de 350% ao ano, todas as tentativas acabavam fracassando por várias razões. Do ponto de vista econômico, o governo Sarney foi bastante conturbado. Herdeiro dos problemas gerados pelo modelo de desenvolvimento econômico estabelecido durante o regime militar e agravado pelas sucessivas crises internacionais, o governo elaborou vários planos para combater a inflação e estabilizar a economia. Sem a estabilização, nada adiantaria, já que os altos juros, engoliam os salários e o poder de compra dos trabalhadores era zero. 



Veio então a era Collor, sem muito sucesso nessa área, pois a inflação não parava de crescer, chegando em 1989 (805% ano), 1990 (1689,87% ano), 1991 (458,38% ano) e 1992, em seu último ano de mandato, pois sofreria o impeachment, a inflação ficou em (1174,67% ano). Era preciso fazer algo urgente!

Assim que o vice presidente Itamar Franco assumiu no lugar de Fernando Collor, realizou algumas mudanças em seus ministérios. Uma delas aconteceu em maio de 1993, quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a pasta da fazenda e ficou encarregado de resolver essa "bucha" que se arrastava por décadas. 
Nesse período, começou a implantar o Plano Real, que foi dividido em três etapas, sendo as duas primeiras implantadas enquanto era ministro. Resumidamente falando, a primeira etapa foi controlar os gastos públicos, na segunda criou a URV - Unidade Real de Valor, já prevendo sua posterior transformação no real, uma jogada de mestre. Venceu Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 1994, já que gozava de boa popularidade em função do trabalho de estabilização da moeda e assim que assumiu a presidência, em janeiro de 1995, iniciou a terceira etapa.

O sucesso do plano real foi imediato. Em 1993 o IPCA havia registrado alta de 2477,15%, já em 1995 o IPCA apresentou um valor de 22,41% e este valor foi caindo até chegar ao recorde de 1,66% em 1998 (Dados IBGE). O fantasma da Hiper Inflação finalmente seria derrotado. Tanto que FHC com índices de popularidade significativa seria reeleito já no primeiro turno com 53,06% dos votos, contra 31,71% do seu adversário, Luiz Inácio. Este só conseguiu derrotar FHC nos estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Após a estabilização econômica e controle da inflação, FHC iniciou uma nova etapa, que seria a reforma do estado, promovida em seus dois mandatos e que faria um controle rigoroso das contas públicas e dos gastos com o funcionalismo. 
Fernando Henrique conseguiu a aprovação de várias emendas que facilitaram a entrada de empresas estrangeiras no brasil, com o intuito de acirrar a concorrência interna e diminuir preços. Foi muito criticado pela oposição e por alguns empresários que estavam renegociando suas dividas, uma vez que a abertura agravou a crise em alguns setores, pouco produtivos, em função da chegada de empresas mais sólidas e competitivas. 
O setor mais beneficiado com essa abertura foi o das telecomunicações, fazendo por exemplo, o valor de aquisição de uma linha fixa de telefone, que antes custava R$ 8.994,66, cair ao patamar de R$ 250,00 e gradativamente este valor chegaria a custo zero nos anos seguintes.

Naquele momento a vida havia se tornado melhor para a classe trabalhadora que com a estabilidade e controle da inflação, podia planejar melhor seus investimentos e controlar suas despesas sem surpresas. Claro que muitas questões ainda precisavam ser levantadas e corrigidas e irei detalhar melhor essas questões nas partes 2 e 3. 

Acompanhem..

Um abraço.




sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A Família - Dedicado a tia Neide


Por onde começar? Porque escrever sobre isso? Na verdade não sei.
Hoje uma tormenta passou, sem que nos dessemos conta do tamanho do estrago que ela causaria, mesmo quase que preparados para recebe-la, nunca imaginávamos que a ferida seria tão grande.

Dia 05 de outubro de 2012. Um dia que mesmo que tentássemos explicar, levaríamos horas procurando as palavras certas para definir o que foi a vida de Neide Donato de Oliveira ou simplesmente tia Neide.
Resumindo é mais ou menos assim: Uma capixaba que foi cedo viver na cidade do Rio de Janeiro, casou-se e criou vários filhos. Digo vários, porque além dos seus quatro (3 homens e 1 mulher), ajudou ainda a criar/educar mais alguns. Fez isso com maestria e muita paciência e olha que tinha horas que eu não consigo compreender como ela conseguia. Mas estava lá, alegre, simples, direta, sorridente e muito carinhosa.

Eu era pequeno, e meus pais sempre me contam essa história. Foi um dia em que eu estava mal, com 41º de febre, nos meus 1 ano e 4 meses de vida e ela com sua sabedoria e principalmente iniciativa, me pegou no colo e me levou pro hospital, onde, segundo os médicos, eu não teria mais que algumas horas, pois tinha uma pneumonia aguda. Foi Deus quem a colocou ali naquele momento e eu serei eternamente grato por isso.

Passaram anos e ela continuava presente na vida de todos nós, eu, minha irmã e minha mãe. Eramos apenas nós três e passávamos momentos difíceis, pois nossa receita vinha apenas dos trabalhos que minha mãe desenvolvia (com sua mão de obra simples, pois havia concluído apenas o ensino fundamental, numa época de inflação astronômica) e do dinheiro, que vez ou outra, meu pai mandava, já que também tentava uma vida nova em são paulo e que não estava nada fácil. Foram épocas para se esquecer. Minha mãe era a guerreira da vez, acompanhada e incentivada por dona Neide e seu companheiro Tio Miguel. 

Fomos crescendo, e em quase todos os momentos da minha infância e juventude minha tia estava presente. Me lembro de muitos momentos marcantes. Das idas ao sítio que eles tinham, no município de Silva Jardim, no estado do Rio de Janeiro, até as tardes divertidas jogando vispora, seu passatempo favorito. Fritava seus maravilhosos pastéis de carne e passávamos horas e horas entretidos com esse jogo, que era uma mistura de bingo, com apostas de fichas de ônibus (sim, os ônibus da época davam fichas para depositar nas catracas), num tabuleiro com marcações do tipo "coladinho", "terno embaixo", "ponta" entre outros. Era fantástico!

Numa infância com recursos financeiros limitados, nada era mais importante, que esses momentos em família e confesso honestamente, que não trocaria por nada nesse mundo aqueles momentos.
Quando se tem amor e união, tudo pode ser superado. 
Deus nos presenteou com essa mulher que desde que me conheço por gente, nunca mediu esforços para ajudar quem quer que fosse, parente ou vizinho, conhecido ou desconhecido, ela fazia por vocação. Hoje é tão difícil encontrar pessoas que ajudem os seus, ainda mais aqueles considerados estranhos. 

Dona Neide, certamente a senhora deixará saudades, mas conseguiu deixar também um legado que dificilmente será esquecido; o do amor, da amizade, do carinho com os outros e principalmente da gratidão.  Ensinou o que significa ser FAMÍLIA de verdade. Obrigado por fazer da nossa vida algo melhor, mas obrigado mesmo por ter nos dado a honra de passar preciosos momentos ao seu lado. Siga em paz e esteja com Deus!







sábado, 1 de setembro de 2012

Os vovôs estão de volta

Quem não se lembra dos filmes explosivos e ideológicos dos anos 80, protagonizados pelos astros Silvestre Stallone (66) e Arnaud Schwarzenegger (65)?
E o que dizer de Dolph Lundgren (55), Mickey Rouke (60) e Bruce Willis (57)?
Pois agora os "vovôs" estão de volta para incendiar, explodir e danificar as telas dos cinemas nacionais. Desta vez com um elenco maior ainda, com um senhor diferencial, a experiência dos atores.
O filme contará com a participação de grandes nomes como o ator belga Jean-Claude Van Damme (52) e do campeão de fuzilamentos em filmes de guerra, Chuck Noris (72). 

 

Se o filme inicial faturou US$ 274 milhões com um time de veteranos que incluía Dolph Lundgren, Jet Li e Mickey Rourke, a sequência traz Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis em papéis expressivos e marca a entrada de Chuck Norris e Jean-Claude Van Damme no grupo.

Esses astros de filmes de ação sofrem de uma limitação óbvia: a idade. Aos 66 anos, o ator Sylvester Stallone, que se consagrou nesse gênero em títulos como "Rambo", decidiu fazer do obstáculo o principal atrativo. Atuando como lider de uma milícia particular, ele usa justamente a experiência para alcançar os objetivos. Deu certo na aventura de estreia e está acontecendo o mesmo com "Mercenários 2", filme que liderou a bilheteria americana e já faturou US$ 42 milhões somente nos estados unidos.

Sem duvida a experiência e a história que esses astros construiram durante décadas no cinema americano é que faz dessa sequência um sucesso de bilheteria. Eu particularmente, no passado, torci muito para que Stallone e Schwarzenegger se enfrentassem nos filmes. Hoje, ao ver os dois, trabalhando lado a lado, mostra o quanto o cinema pode ser fascinante, principalmente para os fãs que acompanharam a trajetória deles. 

Outro ponto importante, é o resgate do limbo das drogas e do esquecimento, do ator Van Damme. Ele ganhou participação de destaque como vilão, o que abre horizontes para a sua carreira combalida. A turma de idade avançada e corpo sarado luta contra um perigoso inimigo que roubou plutônio russo e ameaça o planeta, papel reservado a Van Damme

Se o filme vai agradar as multidões, isso é uma tarefa dificil de afirmar, mas o certo é que nenhum deles é tão bom, quanto todos eles juntos!! Vamos conferir!



quinta-feira, 26 de julho de 2012

Um Gigante Adormecido

Desabafo de um torcedor Rubro Negro..

Como muitos rubro-negros, estou irritado com a situação atual do Flamengo. E mesmo acreditando no trabalho do Zinho, não consigo enxergar possibilidade efetiva de mudanças a curto e médio prazo para os problemas de futebol da Gávea. Graças a Deus há pelo menos 4 times piores que o Flamengo neste campeonato brasileiro e assim, em tese, o risco de rebaixamento inédito não me assusta. Entendo que o clube deveria verdadeiramente começar o planejamento para 2013 e assumir publicamente que o grande objetivo este ano é enxugar a inacreditável folha salarial do futebol e preparar a base de um novo time para as próximas temporadas. Qualquer coisa diferente disso, será perda de tempo, nocivo à Instituição e meramente político.

É impressionante como o Flamengo não consegue se reerguer. Até o Corinthians hoje em dia colhe frutos de uma administração que soube explorar o potencial de sua torcida, com inteligência nas ações de marketing (embora tenha contado com valiosa contribuição do Poder Público na questão do estádio e pela aliança inoportuna de seu ex-presidente com a CBF). Há outros exemplos recentes de sucesso em gestão empresarial no futebol brasileiro que poderiam servir como parâmetro ou diretriz para o Flamengo. Mas não. Os mesmos caciques que há quase 30 anos dominam o cenário político do clube se alternam no poder e neste momento se colocam como "pilares da excelência de administração" ou "salvação" para o clube. É desanimador o cenário. E o pior: qualquer mudança neste panorama passa necessariamente por uma reforma do estatuto do clube, o que convenhamos, será muito difícil diante do baixíssimo número de sócios e interessados.

A solução poderia vir da torcida. E sendo um clube de massa, o Flamengo possui uma torcida gigantesca, mas que em sua grande maioria parece não entender o que se passa no clube. É irritante ver e ouvir torcedores durante as partidas gritando e clamando por raça ou idolatrando jogadores que sequer possuem a mínima condição de vestir a camisa do clube. E quando a maior parte da torcida é cega, surda e muda, as esperanças ficam ainda mais reduzidas. O problema é muito maior.

Neste cenário atual há enigmas que precisam ser desvendados. Perguntas que merecem respostas. Vou listar algumas abaixo:

1. A saída do Ibson em 2009 foi um dos fatores para a conquista do hexa. "Perdemos" sua criatividade para a entrada do Pet, no "auge" de seus 37 anos para comandar o meio-campo do time até a conquista. Veja, o Ibson foi reserva na maior parte do tempo em TODOS os clubes que jogou. E sempre atuou em sua posição de origem. Mas, no Flamengo, carrega status de "ídolo", ganha um salário altíssimo e é insubstituível, homem de confiança do Joel. Jogando como terceiro ou quarto homem de meio-campo, prendendo em demasia a bola, errando passes, proporcionando contra-ataques, reclamando de companheiros e da arbitragem o tempo todo. Nenhum diretor ou vice-presidente de futebol enxerga isso?

2. Rendendo abaixo da crítica desde 2009 (vide episódio diante do Náutico no Maracanã), o Leo Moura ainda assim ostenta o status de titular absoluto, melhor lateral do Brasil e é reverenciado pela mídia especializada e pela torcida. Quer renovar por 3 anos (tem 34) ganhando 500 mil reais por mês, sendo que já declarou que quer jogar no meio-campo. Para que renovar então se o cara não será mais lateral? E o risco trabalhista em caso de rescisão do contrato? Você acha que realmente há mercado nacional interessado em pagar 500 mil reais por mês a ele (relembre casos de Toró e o lateral Juan)? Dêem uma placa a ele pelo tempo de clube, pelo bom futebol apresentado até 2008, mas daí a renovar com ele no final do ano é uma temeridade. Há tempos o Leo Moura não apóia, não marca, não faz nada em campo. A maioria dos gols ou das jogadas dos adversários surgem na avenida que ele deixa quando...não apóia ao ataque. Está sempre se escondendo do jogo, atrás da linha da bola e de vez em quando surge no meio-campo, abandonando a lateral.

3. Alguém precisa calar o Joel. Adora se vangloriar de 30 anos de carreira. Mas te pergunto: você lembra 4 ou 5 bons trabalhos do Joel nesse período? E de trabalhos ruins? Perceba, tratamos a exceção como regra. E o clube banca um salário altíssimo para um sujeito que parou no tempo (aliás, não é "privilégio" do Flamengo, temos técnicos ruins que fazem rodízio nos principais clubes brasileiros sem nada a acrescentar do ponto de vista tático ou técnico). E como ele, fizemos o mesmo com Silas, Rogério Lourenço, Caio Junior...

4. Renato Abreu. Teve uma boa fase no Flamengo. Mas, hoje em dia engessa o meio-campo. Não tem função. Aliás, tem. Cobrador de faltas. Porque fora isso, não apóia, não marca, não faz nada. Chamá-lo de ídolo é uma ofensa aos ídolos do passado. Antes do problema cardíaco, o Renato já não corria em campo. Agora então complicou. Está vivendo de 3 ou 4 gols que fez no ano. Não recebe uma bola durante a partida sem antes fazer um giro de 360º e olhar para traz. Como rubro-negro que diz ser, deveria ser o primeiro a pedir para sair. Que o clube lhe dê alguma placa comemorativa, o convide para ser embaixador e tal, mas jogador não dá mais.

5. Botinelli. Queria saber o nome do responsável no clube por contratar jogadores sulamericanos. Peralta, Fierro, Max Bianchucci. É normal errar tantas vezes? É o único argentino sem raça/vontade que conheço.

6. Nos últimos tempos apostamos em Souza, Obina, Dimba, Dill, Josiel, Negreiros, Vanderlei, Jael, Denis Marques. Juntos não fizeram 100 gols em 1000 partidas pelo Flamengo. Agora a bola da vez é o tal do Hernani. Fraco tecnicamente. É um poste. Fará 5 ou 6 gols e depois irá para o Oriente Médio ou algum clube do Nordeste, sem deixar saudades. Não temos um atacante nas categorias de base? Nossos treinadores da base não poderiam treinar ou investir na formação de um jogador de área? Cadê o planejamento e a integração com os profissionais? Junte o salário e as luvas pagas a esses caras e já teríamos construído o CT ou então pago boa parte das dívidas com o Pet, Romário...

Mas, saberemos que não será assim que as coisas funcionarão. Infelizmente. Conheço uns 10 rubro-negros que promoveriam mudanças no clube. Que seriam ótimos administradores, dirigentes de futebol, treinadores, advogados, gente para área de finanças e marketing. Todos sem interesses obscuros ou querendo enriquecer às custas do clube. Como esse grupo, existem outros rubro-negros capazes, íntegros e que podem ajudar. Precisamos trazer essas pessoas para o clube. Conseguiremos um dia?

E como a velha política do "pão e circo", é capaz do clube anunciar o Riquelme, a imprensa fazer festa e a torcida (eu não!) se enganar e acreditar que está tudo bem, que seremos campeões e que os problemas acabaram. O clube pode contratar quem quiser ou puder, vencer 3 ou 4 partidas, mas isso não mudará ou acabará com os problemas do clube. A conquista do brasileiro em 2009 é a prova irrefutável disso tudo que falei até aqui. Aliás, contratar o Riquelme, trazer o Adriano, é ter a certeza de que teremos um quarteto de ex-jogadores em atividade em campo: Leo Moura, Renato Abreu, Riquelme e Adriano. Tudo isso a um custo superior a 1,5 milhão de reais por mês (18 milhões/ano + encargos trabalhistas e fiscais). É mole? Investimento alto sem retorno algum em campo com vitórias, bom futebol e resultados. Algo corriqueiro às gestões do Flamengo (vide também os salários pagos a jogadores como Willians, Kleberson, Rodrigo Alvim, David Braz, Galhardo, Gustavo, Junio Cesar, R10, Angelim e outros).

Por fim, enquanto a torcida arco-íris ecoa sobre a tal "Fla-Press", eu fico indignado com os jornalistas e comentaristas esportivos. Há uma preocupação muito maior em publicar reportagens e notícias sensacionalistas do que realmente discutir ou forçar a reflexão sobre os problemas do clube e do time. Se houvesse uma imprensa tendenciosa, seria esta burra e que presta um desfavor ao Clube de Regatas do Flamengo. Se a preocupação for vender jornal ou espaço na mídia, independentemente do teor da publicação, ok, mas que se admita isso. A própria imprensa tem sua parcela de culpa. Poderia ser muito mais do que realmente é. E os comentaristas esportivos ao tecerem comentários sobre determinados jogadores (exemplo: Ibson e Leo Moura), deveriam ao menos assistir as partidas do Flamengo, porque para falar o que falam, devem fazer de tudo, menos assistir aos jogos do time.


"Estão acabando com o Flamengo e com o amor que torcedores de bem (e de verdade) sentem por ele".

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Já vai tarde!



Estava mais do que na cara! Desde a eliminação na Libertadores e nas finais do Estadual, o divórcio entre Ronaldinho Gaúcho e o Flamengo era pedra das mais cantadas. O que se buscava, como me cansei de escrever aqui e falar no SporTV e na Rádio Globo, era uma saída honrosa. Saída "pela porta da frente", como chegou a admitir o próprio jogador, após uma boa atuação, no Carioca.

Nem isso foi possível. Em mais uma fantástica série de trapalhadas, o comando do futebol rubro-negro acabou acelerando o processo (numa desastrada conversa do vice de futebol com torcedores) e o empresário e irmão do jogador decidiu entrar com um pedido de liberação (e cobranças) na Justiça.

Quer saber? Já vai tarde! Ronaldinho Gaúcho foi, na verdade, uma enorme decepção. Ninguém, em sã consciência, tinha expectativa de que fosse capaz de reencontrar aqui o futebol mágico que chegou a exibir em seus melhores anos de Barcelona. Mas o mínimo que se esperava dele era empenho e profissionalismo. E, com isso, teria o suficiente para fazer a diferença - como fizeram, em suas voltas, apesar de fisicamente combalidos, Ronaldo Fenômeno, no Corinthians, e até Adriano, no Flamengo.

Nem disso, entretanto, o Dentuço foi capaz. Apesar do físico bem mais conservado que os outros ex-companheiros acima citados, Ronaldinho preferiu brilhar em outros campos - e a noite carioca ganhou um boêmio onipresente e um atleta profissional, irritantemente displicente.
Suas boas atuações podem ser contadas nos dedos de uma mão. Show mesmo, somente na Vila Belmiro, na já histórica virada sobre o Santos de Neymar.

E tome de falta, e de chegadas atrasadas, e de apresentações em condições problemáticas, e de faltas em compromissos com patrocinadores.

Ronaldinho, não há outro termo, se tornou um fiasco tsunâmico no Flamengo. Sua saída será um reforço considerável para o elenco.




terça-feira, 29 de maio de 2012

O Caos nos Aeroportos e a falta de Infraestrutura

Caros leitores, tenho viajado constantemente a trabalho, toda semana para ser mas exato e tenho me deparado com uma situação lastimável nos aeroportos, o que já não é novidade pra ninguém. Outro dia, saindo de curitiba a caminho de são paulo, levei mais de seis horas, da minha casa até o meu destino final na capital paulista. Um horror!




Em 2006, o choque entre um jato Legacy americano e um Boeing da Gol – causando a morte de 154 pessoas – foi o episódio que chamou definitivamente a atenção da população brasileira para a precariedade do setor de transporte aéreo do país. O acidente foi o estopim de um apagão aéreo que paralisou os aeroportos na véspera do fim do ano. Voos cancelados e atrasos de até trinta horas transformaram os aeroportos numa sucursal do inferno. Uma CPI foi aberta para investigar o caos, mas todos os problemas identificados por ela permanecem à espera de solução.

Você se depara nos aeroportos com um bando de pessoas descontentes, desesperadas e maltratadas. A estabilização econômica dos últimos 17 anos fez aumentar em 263% o número de brasileiros com acesso às viagens aéreas. Seria motivo de comemoração, não fossem os constantes problemas nos aeroportos do país – provocados, sobretudo, pela falta de infraestrutura do setor.
E a Infraero é a maior responsável por esses problemas.

Já houve vários escândalos de verbas, supostamente desviadas dessa grande entidade estatal. Falam alguns em R$ 300 milhões, outros em R$ 600 milhões, não sabemos com clareza, mas a alguns anos o tribunal de contas da união já denunciou vários deslizes em contas e contratos e até hoje não se resolveu nada. Mas isso faz parte do carma do país, denuncias que não vão adiante.

O que interessa, é que a Infraero faz parte daquele delirio político, de que o estado tem que controlar tudo, "a infraestrutura", "o suporte", "os alicerces da nação", "a segurança nacional", "nosso patrimônio público" e outros slogans ridículos e superados. São esses que mantém estruturas velhas, como a Infraero. 

Na recente privatização envergonhada de três aeroportos, a Infraero teve de estar presente, porque nunca se confia na iniciativa privada, confundida com capitalismo, privataria e etc. Quando será que essa gente, que domina a ideologia do nosso governo, vai aceitar que o estado brasileiro não tem condições de gerir todas as formas de vida social. Que o estado brasileiro está falido, quebrado, super lotado de clientelismos e corrupção, que a sociedade está crescendo em complexidade e que não pode ser tratada como gado, por um estado, cujo a maior característica é a incompetência generalizada de todos os orgãos.

O maior problema do brasil, não é o capitalismo não, é a falta dele. 
O maior problema é o patrimonialísmo do estado, que impede a sociedade se mover.
O estado inchado, nos impede de respirar ou decolar!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Uma França Consolada

O presidente Nicolas Sarkozy assumiu em 2007 seu cargo, do qual pode estar se despedindo neste final de semana, com a promessa de construir nada menos que uma "nova França", tarefa realmente ambiciosa, num pais que está aí há uns 2000 anos e já viu mais ou menos tudo o que poderia ter visto. O resultado final de todos os seus esforços é que a França de hoje, pouco tem de diferente, da de cinco anos atrás, e possivelmente, independente de quem vença a eleição, será a mesma daqui a cinco anos.
Sarkozy é o campeão da "direita" e seu opositor, François Hollande, é o campeão da "esquerda" e ambos pregam programas totalmente opostos entre si. Um garante que se o outro ganhar a França se transformará numa ruina praticamente imediata.


A França de hoje tem muito mais do bom do que do ruim, e nestes casos, o melhor que pode lhe acontecer é ir se segurando mais ou menos onde está. O fato que realmente interessa, e do qual bem pouco se fala, é o seguinte: a França é um dos países mais bem-sucedidos do mundo. Tem problemas, claro, e alguns deles são até reais. Mas é um país de verdade, com 65 milhões de habitantes, e não um parque de diversões, e tem uma situação admiravel pra quem chegou a esse porte. Não há um único buraco em seus 11000 quilômetros de autoestradas de primeiríssima classe. O trem-bala existe; está sempre no horário, mantém velocidade média de 300 quilômetros por hora e sua rede já é cinco vezes maior que o trajeto entre Rio de Janeiro e São Paulo.

A França tem um PIB per capita acima dos 42000 dolares anuais, contra os 10840 dolares no Brasil. Soube aproveitar com inteligência, rapidez e eficácia todo o avanço tecnológico das última décadas. Produz mais que o Brasil, num território equivalente a 6% do nosso e com um terço da nossa população. O salário mínimo é cinco vezes superior ao brasileiro, a saúde pública é impecável e a classe C já emergiu a 100 anos atrás. O cidadão francês não sabe o que é um assalto a mão armada, e não tem a menor idéia do que possa ser um arrastão em prédios e condomínios. Nunca ouviu falar em firma reconhecida e desabamento de morros. Desconhece a existência de filas de onibus. A soma de todas as suas dificuldades, considerando-se a vida como ela é, parece uma brincadeira quando comparada à certos Brics, a começar pelo que é representado na letra B.


A França certamente tem complicações sérias, como o desemprego e a invasão de seu território pelos pobres do mundo que, por bem ou por mal, querem emigrar para lá. Tem uma paixão mal resolvida, e provavelmente sem solução, pelo "estado forte", a quem se atribui poderes incomparáveis.
Sarkozy até tentou mudar alguns quadros na política econômica e social da França, mas não conseguiu sequer diminiur os efeitos catastróficos causados por uma economia globalizada e refém dos mercados. Hollande, que carrega preconceitos quanto a sua candidatura, pelo fato de nunca ter se destacado em nada, parece o homem certo para tentar mudar esse panorama. Se vai conseguir, isso só o tempo vai dizer, mas a França tem a sorte de não precisar dos seus políticos para conservar tudo aquilo que já soube contruir.